No dia 28 de janeiro, iníciou o 4° Grupo de Estudos do Instituto Roseiral em um encontro profundamente marcado pela necessidade de repensar as estruturas do saber e do sentir. Conduzido por Gabriel Pereira Novais, Escrevente do Ofício do 1º Registro de Imóveis de Montes Claros e coordenador do Grupo de Estudos do Instituto Roseiral, e Amanda França, auxiliar de Cartório do Ofício do 1RIMC, o debate teve como ponto de partida a leitura da obra Transfeminismos, da professora Letícia Nascimento, e foi atravessado por uma provocação histórica que, embora formulada em 1851, permanece mais urgente do que nunca:“E eu não sou uma mulher?”.
Ao evocarmos as palavras de Sojourner Truth, somos imediatamente convocados a romper com a ideia de um sujeito universal feminino. Essa pergunta,que nasceu da garganta de uma mulher negra e abolicionista no século XIX, ainda atua como uma fenda nas teorias que tentam homogeneizar as experiências das mulheres. O encontro propôs um exercício de desconstrução dessas ideias excludentes, abrindo caminho para que possamos pensar as mulheridades e as feminilidades sob a ótica da pluralidade e da interseccionalidade.
A partir da escrita sensível e necessária de Letícia Nascimento, mergulhamos na compreensão de que as vivências de mulheres negras, mulheres trans e travestis não são apenas pautas paralelas, mas sim o centro vital para o fortalecimento de qualquer feminismo que se pretenda verdadeiramente emancipador. Reconhecer essas trajetórias, que foram historicamente silenciadas e empurradas para as margens da produção de conhecimento, é um passo fundamental para que possamos construir novas formas de cidadania e de existência.
O Instituto Roseiral segue firme em seu propósito de ser um espaço de escuta ativa, troca constante e produção coletiva. Entendemos que o conhecimento só é legítimo e potente quando nasce do encontro entre diferentes realidades e quando se permite ser moldado pela diversidade de corpos e vozes. Ao transformar o estudo em um ato político e comunitário, reafirmamos nosso compromisso com uma educação que não apenas informa, mas que transforma a realidade ao dar visibilidade e peso às vivências que sustentam a luta por um mundo mais justo.



